segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Papa alerta sobre a tentação de construir um mundo sem Deus



Bento XVI alertou no Vaticano, neste domingo, 26 de fevereiro, para a “tentação” de eliminar Deus da construção da sociedade, que considera estar “sempre presente” na história da humanidade.

O Papa falava a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, para a recitação da oração do Angelus, comentando uma passagem do Evangelho que relata as “tentações” a que Jesus foi submetido no deserto, um lugar que pode servir como “refúgio”.

Para Bento XVI, muitos procuram construir a sua vida “fora” de Deus ou como “se Ele não existisse”, contando apenas com as suas próprias capacidades para “colocar ordem em si próprios e no mundo”.

Nesse contexto, apelou à “paciência e humildade” para seguir Jesus, “fonte da verdadeira vida”.

No primeiro domingo após o início da Quaresma, em preparação para a Páscoa, o Papa disse que este tempo litúrgico é “exigente” porque convida os católicos a “voltarem para Deus”, orientando pensamentos e ações para o bem.

“O tempo da Quaresma é o momento propício para renovar e tornar mais firme a nossa relação com Deus, através da oração quotidiana, os gestos de penitência, as obras de caridade fraterna”, assinalou.

A Quaresma, que começou esta quarta-feira, com a celebração de cinzas, é um período de 40 dias, excetuando os domingos, marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa (este ano a 8 de abril), principal festa do calendário cristão.


Papa pede orações para semana de retiro com os seus colaboradores

Bento XVI e os seus colaboradores na Cúria Romana iniciam no Vaticano, na segunda-feira, uma semana dedicada à reflexão, sem outros compromissos oficiais, iniciativa para a qual o Papa pediu a "oração" dos fiéis.

O retiro de Quaresma foi recordado esta manhã durante o encontro do Papa com os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, para a recitação do Angelus.

"Confio à vossa oração a semana de exercícios espirituais que esta tarde iniciarei com os meus colaboradores da Cúria Romana", disse Bento XVI.

Estes dias vão ser orientados pelo cardeal africano D. Laurent Monsengwo Pasinya, de 72 anos.

O arcebispo de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, foi escolhido devido ao seu compromisso com a paz no país e por ter sido uma voz importante na defesa dos direitos humanos, especialmente durante a ditadura de Mobutu Sese Seko.

"A comunhão do cristão com Deus" vai ser o tema das pregações do especialista na Bíblia que em 2008 foi secretário especial do Sínodo dos bispos sobre a Palavra de Deus, e que em novembro de 2010 foi criado cardeal por Bento XVI.



Veja na íntegra a mensagem do Papa no Ângelus

Queridos irmãos e irmãs!

Neste primeiro domingo da Quaresma, encontramos Jesus que, depois de ter recebido o batismo no rio Jordão por João Batista (cf. Mc 1,9), é tentado no deserto (cf. Mc 1:12-13). A narração de São Marcos é concisa, desprovida de detalhes que lemos nos outros dois Evangelhos de Mateus e de Lucas. O deserto do qual se fala tem diversos significados. Pode indicar o estado de abandono e solidão, o "lugar" da fraqueza do homem, onde não há apoios e seguranças, onde a tentação se faz mais forte. Mas também pode indicar um lugar de refúgio e abrigo, como foi para o povo de Israel na fuga da escravidão egípcia, onde é possível experimentar, de maneira particular, a presença de Deus. Jesus "esteve no deserto quarenta dias, tentado por satanás" (Mc 1,13). São Leão Magno diz que "o Senhor quis sofrer o ataque do tentador para defender com a sua ajuda e para ensinar com o seu exemplo" (Tractatus XXXIX, 3 De ieiunio quadragesimae: CCL 138 / A Turnholti, 1973, 214-215) .

O que pode nos ensinar esse episódio? Como lemos no livro da Imitação de Cristo, “o homem nunca é totalmente livre da tentação, enquanto viver ... Mas é com paciência e verdadeira humildade, se tornará mais fortes do que qualquer inimigo" (Liber I, c. XIII , Cidade do Vaticano 1982, 37), a paciência e a humildade de seguir o Senhor todos os dias, aprendendo a construir a nossa vida não fora dele como se não existisse, mas Nele e com Ele, porque é a fonte da verdadeira vida. A tentação de remover Deus, de colocar ordem sozinho em nós mesmos e no mundo contando apenas com as próprias habilidades, está sempre presente na história humana.

Jesus proclama que "o tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus" (Mc 1,15), anuncia que Nele acontece algo novo: Deus se fez homem, de uma forma inesperada, com uma proximidade única e concreta, plena de amor; Deus se encarna e entra no mundo como homem para tomar sobre si o pecado, para vencer o mal e reconduzir o homem ao mundo de Deus. Mas este anúncio é acompanhado pela exigência de corresponder a esse dom tão grande. Jesus, de fato, acrescenta: "convertei-vos e crede no evangelho" (Mc 1,15); é um convite a ter fé em Deus e a converter todos os dias nossas vidas a Sua vontade, orientando, para o bem, todas as nossas ações e pensamentos.O tempo da Quaresma é um tempo propício para renovar e melhorar o equilíbrio do nosso relacionamento com Deus, através da oração cotidiana, dos atos de penitência, e das obras de caridade fraterna.

Supliquemos com fervor Maria Santíssima para que acompanhe o nosso caminho quaresmal com sua proteção e ajude-nos a imprimir em nosso coração e em nossa vida as palavras de Jesus Cristo, para convertermos a Ele. Confio, por fim, as vossas orações pela semana de Exercícios Espirituais que nesta noite iniciarei junto aos meus Colaboradores da Cúria Romana.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2012

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
PAPA BENTO XVI
PARA A QUARESMA DE 201
2
«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos
ao amor e às boas obras» (
Heb 10, 24)

Irmãos e irmãs!


A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.

Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.

1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.

O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41).

Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).

A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.

O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1).

Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.

O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.

Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).

3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.

Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf.Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.

Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).

Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma

Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.


Vaticano, 3 de Novembro de 2011

BENEDICTUS PP. XVI

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"Remover o pó e o cansaço"

Sociedade: Católicos devem ser «minoria criativa»

Igreja precisa de «remover o pó e o cansaço», afirmou o padre espanhol Pié-Ninot, que participa na ação de formação do clero de Setúbal


Almada, Setúbal, 26 jan 2012 (Ecclesia) – A Igreja deve ser uma “minoria criativa” atenta à sociedade, pronta a renovar a linguagem e disposta a recusar o cansaço, considera o padre e teólogo espanhol Salvador Pié-Ninot.
“O tema da linguagem” e da sua retradução para as “categorias de hoje” ainda não está solucionado, sendo uma das “grandes tarefas pendentes” para os católicos, afirmou à ECCLESIA o especialista em modelos de Igreja (eclesiologia), orador nas jornadas de formação do clero da Diocese de Setúbal, que terminam hoje.

O sacerdote sublinhou que o Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização, o início do Ano da Fé e a comemoração dos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, que se assinalam em outubro, podem ajudar a encontrar o “centro” da Igreja e “constituem uma forma de remover o pó e o cansaço”.

“É preciso um grande esforço porque há algum cansaço em certos setores da Igreja, sobretudo ocidentais e europeus”, observou o docente universitário, acrescentando que a ação divina “confia” que os fiéis “metam mãos à obra”.

A Igreja deve “estar no meio” da sociedade mas “sem perder a força” das suas convicções, pelo que os católicos não devem fechar-se nem perder a sua capacidade profética, acentuou o docente universitário.

No interior da “secularização” surgem “germens de transcendência” através de “pequenas comunidades” de reflexão bíblica, referiu o especialista, que vincou a necessidade de insistir no anúncio “claro e explícito” de Cristo enquanto “novidade” de sempre.

Os sacerdotes, por seu lado, são chamados a destacar a dimensão do testemunho ao não terem “vergonha de estar com as pessoas, preocupando-se com as coisas pequenas e grandes”, ao mesmo tempo que evidenciam a vertente profética, sem “medo de expressar os valores do Evangelho”.

O bispo de Setúbal, D. Gilberto Reis, presente no encontro que se realiza no Seminário de Almada, junto a Lisboa, notou que o padre de hoje deve ser “contemplativo, apaixonado pelos seus irmãos e empenhado em os compreender e ajudar”.

O II Concílio do Vaticano (1962-1965) continua a ser “um ponto de referência” para a Igreja, realçou o padre Pié-Ninot, que durante a ação formativa abordou dois dos mais importantes documentos conciliares, ‘Lumen gentium’, sobre a Igreja, e ‘Gaudium et spes’, acerca da relação dos católicos com o mundo.

As orientações sobre como a Igreja “pode falar do que acontece no mundo” e a relevância da “dimensão espiritual”, que “nunca se pode perder” especialmente num mundo “muito positivista”, constituem para o sacerdote de Barcelona os aspetos mais pertinentes da assembleia conciliar.

Na história da Igreja “verifica-se que todos os concílios tardaram muitos anos a dar frutos”, disse o especialista, perspetiva partilhada pelo bispo de Setúbal em relação ao Vaticano II: “É um tesouro tão grande, que por mais que o olhemos e entremos dentro dele, mais ficamos encantados e fascinados pela sua atualidade e riqueza”.

O padre Pié-Ninot referiu-se também à nova evangelização, conceito que na Europa implica duas obrigações: voltar a anunciar a mensagem cristã e fazê-lo através de configurações nunca experimentadas.

“Somos evangelizados velhos, necessitamo-la de novo”, mas também são precisas “novas formas para fazer Cristo presente e vivo hoje”, assinalou.
PTE/RJM


Fonte : http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=89286

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Caminhar em Procissão


Sempre gosto de olhar bem as procissões que estão presentes nas celebrações, e adorei ler sobre elas. Já visitaram o blog http://catequesechamadodedeus.blogspot.com/ 
ainda não então visitem esta cheio de boas noticias.

O caminhar em diversos momentos da celebração eucarística significa que os cristãos e toda a humanidade, como novo povo de Deus, dirige-se ( sobe ) á Jerusalém celeste. Deve ser feito sempre com dignidade, seja na procissão de abertura ou no inicio da Liturgia da Palavra, quando entra a Sagrada Bíblia ou o Lecionário ( Livro da Palavra ); um andar compenetrado ao se aproximar ou se afastar do altar, nas procissões de apresentação dos dons e da comunhão eucarística.

É um caminhar lento, ordenado, acompanhado do canto. O autêntico caminhar é nobre, livre e, não obstante, cheio de uma bela disciplina; ligeiro e forte, descontraído e firme, pausado e carregado de força conquistadora. E como é belo caminhar assim quando se faz piedosamente! Pode se tornar um autêntico ato de culto a Deus, pois sempre se é peregrino, sempre caminheiro em Cristo rumo ao Reino definitivo.

É claro que existem modos e modos de andar. Na Liturgia, não é só o de um simples vaivém. Os movimentos do presidente e da comunidade serão significativos, respeitosos, compostos e jamais bruscos. 

Nada de agitação e correria. Cada cristão é  um peregrino que se aproxima humildemente das fontes da salvação. Não se está na rua passeando a esmo, pois no espaço sagrado o cristão sabe que caminha na presença de Deus e junto dos irmãos e irmãs.
Na realidade, as belas procissões devem lembrar a caminhada que, junto dos irmãos e irmãs, empreendemos rumo á Terra de Promissão. É a marcha decidida e corajosa da Igreja, assembleia visível e invisível que ousa desafiar o que não presta nas profundezas do mundo injusto.

Fonte: Catequese Litúrgica - A missa explicada
PE. Guilhermo Micheletti

domingo, 11 de dezembro de 2011

Maria, coração educador da fé!

Neste sábado dia 03 de dezembro de 2011, aconteceu mais um dia de nossa Novena da Festa da Padroeira, com tema de: "Maria, coração educador da Fé". A missa que teve a coroação realizada pelo Apostolado da Oração e Pastoral da saúde, foi especial primeiro pelos nossos enfermos que participaram da celebração mesmo com toda dificuldade de locomoção e obstáculos que enfermidade nos leva a superar, segundo por que a missa foi presidida por nosso amigo da Caminhada de Fé, que também trabalhou em nossa comunidade esteve presente cheio de perseverança, saúde e fé, o Padre Antônio Guimarães.