sexta-feira, 13 de abril de 2012

12/04 Dia em que se foi permitido legalmente "O Descarte da Vida"!!!

“A deficiência diagnosticada da criança não pode ser motivo para abortar, porque também a vida com deficiência é querida e apreciada por Deus, e porque nesta terra ninguém pode ter a certeza de viver sem limites físicos ou espirituais.” (Bento XVI) 


Hoje eu como cristã estou profundamente triste, porquê perder tanto tempo decidindo um quesito que compete a Deus? Tantas pessoas em nosso país passam fome, dormem nas ruas, não tem se quer um chinelo para calçar, quantas crianças estão em lares provisórios esperando por uma família que a receba de braços abertos no maior e mais nobre gesto de amor, e nossos representantes ainda conseguem achar tempo, poder e direito de dizer não a vida?

A vida é dom de Deus e só cabe a Ele dizer não ou sim. Quanto uma mãe e um pai aprende sobre a vida, sobre o amor, a solidariedade, a compaixão em um caso como o de um bebê sem cérebro? 

Sou otimista sempre, mas as vezes me ponho a rezar, a pensar que nosso futuro esta tão afunilado em uma situação de individualismo, consumismo, onde o ter e o ser passam por cima de quaisquer valores que permitam um convívio respeitoso, humano e amoroso.

Cristo morreu, e venceu a morte para nos dar a Vida. É páscoa e o chocolate invadiu os lares... Já pensou, quantas pessoas deram espaço para Cristo entrar em suas casas nesta páscoa?

 Uma criança é fruto do amor, é a continuação, é dom de Deus... quando um matrimônio perde o sentido, quando Deus não esta nos lares, a vida fica escura, sem esperança, sem possibilidades.



Segue abaixo Nota da CNBB.


Nota da CNBB sobre o aborto de Feto “Anencefálico”
Referente ao julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB lamenta profundamente a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o aborto de feto com anencefalia ao julgar favorável a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54. Com esta decisão, a Suprema Corte parece não ter levado em conta a prerrogativa do Congresso Nacional cuja responsabilidade última é legislar.
Os princípios da “inviolabilidade do direito à vida”, da “dignidade da pessoa humana” e da promoção do bem de todos, sem qualquer forma de discriminação (cf. art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV, Constituição Federal), referem-se tanto à mulher quanto aos fetos anencefálicos. Quando a vida não é respeitada, todos os outros direitos são menosprezados, e rompem-se as relações mais profundas.
Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso. A ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não aceita exceções. Os fetos anencefálicos, como todos os seres inocentes e frágeis, não podem ser descartados e nem ter seus direitos fundamentais vilipendiados!
A gestação de uma criança com anencefalia é um drama para a família, especialmente para a mãe. Considerar que o aborto é a melhor opção para a mulher, além de negar o direito inviolável do nascituro, ignora as consequências psicológicas negativas para a mãe.   Estado e a sociedade devem oferecer à gestante amparo e proteção
Ao defender o direito à vida dos anencefálicos, a Igreja se fundamenta numa visão antropológica do ser humano, baseando-se em argumentos teológicos éticos, científicos e jurídicos. Exclui-se, portanto, qualquer argumentação que afirme tratar-se de ingerência da religião no Estado laico. A participação efetiva na defesa e na promoção da dignidade e liberdade humanas deve ser legitimamente assegurada também à Igreja.
A Páscoa de Jesus que comemora a vitória da vida sobre a morte, nos inspira a reafirmar com convicção que a vida humana é sagrada e sua dignidade inviolável.
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, nos ajude em nossa missão de fazer ecoar a Palavra de Deus: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Páscoa para poucos

Como manifestar a verdadeira alegria da ressurreição de Cristo em meio à crescente alienação consumista?

Em meio ao inacreditável número de 1,3 mil toneladas de chocolates produzidas este ano para atender a fome de consumo de nossa sociedade, nos deparamos com a desvalorização de nossa maior festa. A Páscoa.
Quando pesquisamos o termo Páscoa no “Google” o resultado é desolador. Das primeiras cem imagens, apenas três estão relacionadas diretamente a Cristo. O que seria isso então? A nossa sociedade se esqueceu do sentido primeiro da Páscoa? Ou estamos com vergonha de anunciar a ressurreição de Cristo?
Como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, a ressurreição de Jesus é a verdade culminante de nossa fé em Cristo e de fato esta verdade deve tornar-se vida em nossa vida. ”Cristo ressuscitou dos mortos. Por sua morte venceu a morte. Aos mortos deu a vida”. Cristo quis que com Sua ressurreição, também nós, pecadores nos aproximássemos do Amor de Deus e gozássemos da vida eterna, como nos adverte São Paulo quando escreve para a comunidade de Coríntios: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram… assim como todos que morreram em Adão, em Cristo todos receberão a vida” (conf. 1Cor. 15, 20-22).
Páscoa é tempo de alegria, de festa, pois o Senhor ressuscitou e está conosco, cumprindo as promessas do Antigo Testamento e é Nele que encontramos o princípio de nossa própria ressurreição. Abrindo para nós as portas do céu e libertando a humanidade dos pecados, Jesus dá início a uma humanidade vitoriosa, liberta das atrações do mal e crente na construção do Seu Reino em nosso meio.
Certamente, quando nos referimos a esta festa magnífica, os nossos olhares podem ser atraídos pelas tentativas midiáticas, muitas vezes ilusionistas, que nos ludibriam, fazendo com que nossos sentidos sejam anestesiados pela ganância do lucro e da falsa alegria que está em celebrarmos a Páscoa sem a figura de Cristo.
Meus queridos irmãos, estejamos atentos às palavras de sua santidade, papa Bento XVI, quanto ao sentido pascal: “O acontecimento da morte e ressurreição de Cristo é o coração do Cristianismo, o ponto central de nossa fé, o poderoso impulso da nossa certeza, o vento forte que afugenta toda a angústia e incerteza, a dúvida e o calculismo humano.” Estas palavras devem animar a nossa alma e nos conscientizar da extrema responsabilidade de que, como católicos, precisamos professar nossa fé com firmeza, autenticidade e convicção de que precisamos tornar o Reino de Deus uma realidade. Isto é possível. Cristo está conosco, a Igreja é por nós, tenhamos coragem!
Termino esta conversa, com a última célebre frase de Dietrich Bonhoeffer, teólogo alemão que em 1945 foi executado em um campo de concentração por ser contra a repressão nazista e as atrocidades que os soldados aliados praticavam aos judeus: “Quem compreende a Páscoa não se desespera”. Certamente ao olharmos para este exemplo de fé, temos a certeza de que é possível manifestar a vitória de Jesus Cristo ressuscitado dos mortos. Vivo em nossas vidas e presente em nosso tempo.
Peçamos a Virgem Maria, modelo de oração e discipulado a interceder por Seu filho, Nosso Senhor e fazer com que nosso coração seja completamente entregue ao mistério pascal; que neste tempo de júbilo, nós da paróquia Santa Maria Goretti, tenhamos coragem para assumir as dificuldades de sermos cristãos frente ao universo aniquilador do consumo e prudência para discernirmos aquilo que é, infelizmente e ainda, para poucos a verdade.
Autor: Seminarista Felipe Fernandes do primeiro ano de Filosofia

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Domingo de Ramos 01/04/2012

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Praça de São Pedro
XXVII Jornada Mundial da Juventude
Domingo, 1 de Abril de 2012


Queridos irmãos e irmãs!

O Domingo de Ramos é o grande portal de entrada na Semana Santa, a semana em que o Senhor Jesus caminha até ao ponto culminante da sua existência terrena. Ele sobe a Jerusalém para dar pleno cumprimento às Escrituras e ser pregado no lenho da cruz, o trono donde reinará para sempre, atraindo a Si a humanidade de todos os tempos e oferecendo a todos o dom da redenção. Sabemos, pelos Evangelhos, que Jesus Se encaminhara para Jerusalém juntamente com os Doze e que, pouco a pouco, se foi unindo a eles uma multidão cada vez maior de peregrinos. São Marcos refere que, já à saída de Jericó, havia uma «grande multidão» que seguia Jesus (cf. 10, 46).


Nesta última parte do percurso, tem lugar um acontecimento singular, que aumenta a expectativa sobre aquilo que está para suceder, fazendo com que a atenção geral se concentre ainda mais em Jesus. À saída de Jericó, na beira do caminho, está sentado pedindo esmola um cego, chamado Bartimeu. Quando ouve dizer que Jesus de Nazaré estava chegando, começa a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!» (Mc 10, 47). Procuram silenciá-lo, mas sem sucesso; por fim Jesus manda-o chamar, convidando-o a aproximar-se. «O que queres que Eu te faça?» - pergunta-lhe. E ele: «Mestre, que eu veja!» (v. 51). Jesus responde: «Vai, a tua fé te curou». Bartimeu recuperou a vista e começou a seguir Jesus pela estrada (cf. v. 52). Depois deste sinal prodigioso precedido pela invocação «Filho de David», de improviso levanta-se um frêmito de esperança messiânica no meio da multidão, fazendo com que muitos se perguntassem: Poderia este Jesus, que caminhava à sua frente para Jerusalém, ser o Messias, o novo David? Porventura teria chegado, com esta sua entrada já iminente na cidade santa, o momento em que Deus iria finalmente restaurar o reino de David?

Também a preparação da entrada, combinada por Jesus com os seus discípulos, ajuda a aumentar esta esperança. Como ouvimos no Evangelho de hoje (cf. Mc 11,1-10), Jesus chega a Jerusalém vindo de Betfagé e do Monte das Oliveiras, isto é, seguindo a estrada por onde deveria vir o Messias. De Betfagé, Ele envia à sua frente dois discípulos, com a ordem de Lhe trazerem um jumentinho que encontrarão no caminho. De fato encontram o jumentinho, soltam-no e levam-no a Jesus. Naquele momento, o entusiasmo apodera-se dos discípulos e também dos outros peregrinos: pegam nos seus mantos e colocam-nos uns sobre o jumentinho e outros estendidos no caminho por onde Jesus passa montado no jumento. Depois cortam ramos das árvores e começam a apregoar expressões do Salmo 118, antigas palavras de bênção dos peregrinos que, naquele contexto, se tornam uma proclamação messiânica: «Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai David! Hosana no mais alto dos céus!» (vv. 9-10). Esta aclamação festiva, transmitida pelos quatro evangelistas, é um brado de bênção, um hino de exultação: exprime a convicção unânime de que, em Jesus, Deus visitou o seu povo e que o Messias ansiado finalmente chegou. E todos permanecem lá, numa crescente expectativa da ação que Cristo realizará quando entrar na sua cidade.

Mas qual é o conteúdo, o sentido mais profundo deste grito de júbilo? A resposta é-nos dada pela Escritura no seu conjunto, quando nos lembra que no Messias se cumpre a promessa da bênção de Deus, a promessa feita por Deus originariamente a Abraão, o pai de todos os crentes: «Farei de ti um grande povo e te abençoarei (...). Em ti serão abençoadas todas as famílias da terra!» (Gn 12, 2-3). Trata-se de uma promessa que Israel mantivera sempre viva na oração, especialmente na oração dos Salmos. Por isso, Aquele que a multidão aclama como o Bendito é, ao mesmo tempo, Aquele em quem será abençoada a humanidade inteira. Assim, na luz de Cristo, a humanidade reconhece-se profundamente unida e, de certo modo, envolvida pelo manto da bênção divina, uma bênção que tudo permeia, tudo sustenta, tudo redime, tudo santifica.

E aqui podemos descobrir uma primeira grande incumbência que nos chega da festa de hoje: o convite a adotar a visão reta sobre a humanidade inteira, sobre os povos que formam o mundo, sobre suas diversas culturas e civilizações. A visão que o crente recebe de Cristo é um olhar de bênção: um olhar sapiencial e amoroso, capaz de captar a beleza do mundo e condoer-se da sua fragilidade. Nesta visão, manifesta-se o próprio olhar de Deus sobre os homens que Ele ama e sobre a criação, obra das suas mãos. Lemos no Livro da Sabedoria: «De todos tens compaixão, porque tudo podes, e fechas os olhos aos pecados dos mortais, para que se arrependam. Sim, amas tudo o que existe e não desprezas nada do que fizeste; (...) a todos, porém, tratas com bondade, porque tudo é teu, Senhor amigo da vida» (Sb 11, 23-24.26).

Voltando à passagem do Evangelho de hoje, perguntemo-nos: Que pensavam, realmente, em seus corações aqueles que aclamam Cristo como Rei de Israel? Certamente tinham a sua idéia própria do Messias, uma idéia do modo como devia agir o Rei prometido pelos profetas e há muito esperado. Não foi por acaso que a multidão em Jerusalém, poucos dias depois, em vez de aclamar Jesus, grita para Pilatos: «Crucifica-O!», enquanto os próprios discípulos e os outros que O tinham visto e ouvido ficam mudos e confusos. Na realidade, a maioria ficara desapontada com o modo escolhido por Jesus para Se apresentar como Messias e Rei de Israel. É precisamente aqui que se situa o ponto fulcral da festa de hoje, mesmo para nós. Para nós, quem é Jesus de Nazaré? Que idéia temos do Messias, que idéia temos de Deus? Esta é uma questão crucial, que não podemos evitar, até porque, precisamente nesta semana, somos chamados a seguir o nosso Rei que escolhe a cruz como trono; somos chamados a seguir um Messias que não nos garante uma felicidade terrena fácil, mas a felicidade do céu, a bem-aventurança de Deus. Por isso devemos perguntar-nos: Quais são as nossas reais expectativas? Quais são os desejos mais profundos que nos animaram a vir aqui, hoje, celebrar o Domingo de Ramos e iniciar a Semana Santa?

Queridos jovens, aqui reunidos! Em todos os lugares da terra onde a Igreja está presente, este Dia é especialmente dedicado a vós. Por isso, vos saúdo com muito carinho! Que o Domingo de Ramos possa ser para vós o dia da decisão: a decisão de acolher o Senhor e segui-Lo até ao fim, a decisão de fazer da sua Páscoa de morte e ressurreição o sentido da vossa vida de cristãos. Tal é a decisão que leva à verdadeira alegria, como quis recordar na Mensagem aos Jovens para este seu Dia - «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Flp 4, 4) -, e como se vê na vida de Santa Clara de Assis, que há oitocentos anos – exatamente no Domingo de Ramos –, movida pelo exemplo de São Francisco e dos seus primeiros companheiros, deixou a casa paterna para consagrar-se totalmente ao Senhor: com dezoito anos, teve a coragem da fé e do amor para se decidir por Cristo, encontrando n’Ele a alegria e a paz.

Queridos irmãos e irmãs, dois sentimentos nos animem particularmente nestes dias: o louvor, como fizeram aqueles que acolheram Jesus em Jerusalém com o seu «Hosana»; e a gratidão, porque, nesta Semana Santa, o Senhor Jesus renovará o dom maior que se possa imaginar: dar-nos-á a sua vida, o seu corpo e o seu sangue, o seu amor. Mas um dom assim tão grande exige que o retribuamos adequadamente, ou seja, com o dom de nós mesmos, do nosso tempo, da nossa oração, do nosso viver em profunda comunhão de amor com Cristo que sofre, morre e ressuscita por nós. Os antigos Padres da Igreja viram um símbolo de tudo isso num gesto das pessoas que acompanhavam Jesus na sua entrada em Jerusalém: o gesto de estender os mantos diante do Senhor. O que devemos estender diante de Cristo – diziam os Padres - é a nossa vida, ou seja, a nós mesmos, em sinal de gratidão e adoração. Para concluir, escutemos o que diz um desses antigos Padres, Santo André, Bispo de Creta: «Em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de arbustos que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu vigor, prostremo-nos nós mesmos aos pés de Cristo, revestidos da sua graça, ou melhor, revestidos d’Ele mesmo (…); sejamos como mantos estendidos a seus pés (…), para oferecermos ao vencedor da morte não já ramos de palmeira, mas os troféus da sua vitória. Agitando os ramos espirituais da alma, aclamemo-Lo todos os dias, juntamente com as crianças, dizendo estas santas palavras: “Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel”» (PG 97, 994). 

Amém!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Papa diz que o casamento é o único "lugar" digno da procriação


Como parte da 18 ª Assembléia Geral da Pontifícia Academia para a Vida, realizada no Vaticano, o Papa Bento XVI afirmou que o casamento, a união do homem e da mulher em comunidade de amor e vida, é o único “lugar” digno da vocação à existência de um novo ser humano, que é sempre um dom.
"A dignidade humana e cristã da procriação, na verdade, não é um" produto", mas em relação ao ato conjugal, uma expressão de amor dos esposos, da sua união não só biológicas, mas também espiritual", disse o Papa.
Em seu discurso para mais de 200 participantes na reunião, que este ano aborda o tema "Diagnóstico e tratamento da infertilidade," o Santo Padre observou que este, além de sua importância humana e social, "tem um valor científico único e expressa a possibilidade real um diálogo fecundo entre ética e pesquisa biomédica".
Bento XVI felicitou e alentou os presentes a "considerar cuidadosamente a dimensão moral, encontrar formas de avaliação diagnóstica adequada e terapia para corrigir as causas da infertilidade".
O Papa falou aos  cientistas sobre o seu desejo de promover a honestidade intelectual de sua obra, que é "uma expressão de uma ciência que mantém desperto o espírito da busca da verdade no serviço do autêntico bem humano e que evita o risco de ser uma prática puramente funcioal”.
O Santo Padre lamentou que "o cientificismo e a lógica da ganância hoje parecem dominar o campo da infertilidade e da procriação humana, chegando a limitar muitas outras áreas de pesquisa".
"A Igreja presta muita atenção para a situação dos casais com infertilidade, cuida deles, e com razão, incentiva a pesquisa médica".
Bento XVI observou que "as legítimas aspirações de procriação de um casal que está em uma condição de infertilidade deve encontrar, com a ajuda da ciência, uma resposta que respeite plenamente sua dignidade como pessoas e esposos".
No entanto, o Santo Padre observou que a ciência nem sempre é capaz de responder aos desejos de muitos casais, por isso lembrou aqueles que têm uma condição de infertilidade que esta não é uma frustração para a sua vocação para o casamento.
"Onde a ciência ainda não encontrou uma resposta, a resposta dada pela luz vem de Cristo".
Finalmente, o Papa disse aos profissionais presentes que “a indiferença de consciência contra a verdade e o bem representa uma perigosa ameaça ao genuíno progresso científico".
"As pessoas confiam em vocês para servir a vida, têm confiança no seu empenho e apoio para aqueles que precisam de consolo e esperança".





Encontro quer dar soluções acessíveis e morais ao tema da infertilidade
Enquanto na Costa Rica a Corte Interamericana de Direitos humanos tenta impor a fecundação in vitro, durante uma semana, a Pontifícia Academia para a Vida no Vaticano reúne peritos de todo o mundo para a 18º Assembléia Internacional. O objetivo deste ano refletir sobre o diagnóstico e as terapias da infertilidade.
Dom Ignacio Carrasco da Paula, Presidente da Academia Pontifícia para a Vida, explicou quais os objetivos que buscados neste encontro: "a Academia quer contribuir aos esforços de frear a proliferação da infertilidade, que freqüentemente destrói o justo desejo de paternidade e maternidade para muitos casais".
"Por outro lado, deseja proporcionar informação sobre os últimos avanços na prevenção e o tratamento deste problema com o fim de dar esperança aos casais inférteis", acrescentou.
Segundo as estatísticas mais recentes a infertilidade se converteu em um problema médico importante que afeta 15% da população dos países industrializados e 30,9% dos países em desenvolvimento.
Tendo em conta este fato e o sofrimento que causa a infertilidade nos casais, a Academia Pontifícia para a Vida deseja participar ativamente na busca de soluções novas e eficazes acessíveis ao público em geral.
Dado que os tratamentos atualmente disponíveis são limitados, o desafio exposto pela Academia pontifícia aos cientistas é compartilhar seus conhecimentos na busca de novas alternativas que dêem esperança aos casais e não promover aquelas que são incompatíveis com a moral católica como a fecundação in vitro.
Os estudiosos participantes escolhidos entre os melhores peritos internacionais e o desafio ir além da mera gestão dos sintomas até o tratamento real da infertilidade.
A Academia pediu aos profissionais atribuir as opções atuais de diagnóstico e tratamento das verdadeiras causas da infertilidade, com o fim de criar um degrau no avanço rumo a soluções permanentes par ao problema.
A doutrina católica se opõe à fecundação in vitro por duas razões primitivas: primeiro, porque se trata de um procedimento contrário à ordem natural da sexualidade que atenta contra a dignidade dos esposos e do matrimônio; segundo, porque a técnica supõe a eliminação de seres humanos em estado embrionário tanto fora como dentro do ventre materno, implicando vários abortos em cada processo.
Mais informações: Academia Pontifícia: www.academiavita.org

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI AOS PARTICIPANTES NA ASSEMBLEIA DA ACADEMIA DO PAPA PARA A VIDA
Sala Clementina, sábado, 25 de fevereiro, 2012
Senhores Cardeais,
Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
queridos irmãos e irmãs,
Tenho o prazer de conhecê-lo no trabalho da XVIII Assembléia Geral da Pontifícia Academia para a Vida . Bem-vindo e obrigado por seu apoio generoso e serviço em defesa da vida, especialmente o presidente, Dom Ignacio Carrasco de Paula, as palavras que me dirigiu em seu nome. A configuração que você deu ao seu trabalho demonstra a confiança que a Igreja sempre colocou nas possibilidades da razão humana e, em um trabalho estritamente científico realizado, tendo em mente o aspecto moral. O tema escolhido este ano, "Diagnóstico e tratamento para a infertilidade", bem como tendo um importante humana e social, tem um valor peculiar científica, e expressa a real possibilidade de um diálogo fecundo entre a pesquisa ética e biomédica. Antes de problema de infertilidade do casal, de fato, optaram por chamar de volta e considerar cuidadosamente a dimensão moral, procurando as ruas para uma avaliação adequada de diagnóstico e terapia para corrigir as causas da infertilidade. Esta abordagem se move a partir do desejo de não só dar a uma criança o casal, mas para restaurar sua fertilidade para os noivos e toda a dignidade de ser responsável por suas escolhas reprodutivas, a ser colaboradores de Deus na geração de um novo ser humano. A busca por um diagnóstico e tratamento é a abordagem cientificamente mais correta para a questão da infertilidade, mas também a humanidade ambientalmente mais completa de todos os envolvidos. Na verdade, a união do homem e da mulher naquela comunidade de amor e vida que é o casamento, é o "lugar" só é digno da vocação à existência um novo ser humano, que é sempre um dom.
É meu desejo, pois, incentivar a honestidade intelectual de seu trabalho de expressão, de uma ciência que mantém desperto o espírito da busca da verdade no serviço do autêntico bem humano, e que evita o risco de ser puramente prático funcional. A dignidade humana e cristã da procriação, não consiste em um "produto", mas na sua ligação com o ato conjugal, uma expressão de amor dos esposos, a sua união não só biológica, mas também espiritual. A Instrução Donum Vitae nos lembra a este respeito, que "pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, enquanto a maioria que une profundamente os esposos, torna a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do 'o homem ea mulher "(n. 126). As aspirações legítimas do casal parental está em uma condição de infertilidade deve ser encontrado, com a ajuda da ciência, uma resposta que respeite plenamente a sua dignidade como pessoas e como cônjuges. A humildade ea precisão com que estas questões em profundidade, considerado obsoleto por alguns de seus colegas antes de o fascínio da tecnologia de inseminação artificial, merece incentivo e apoio. Por ocasião do décimo aniversário da Encíclica Fides et Ratio , lembrado como "o dinheiro fácil ou, pior ainda, a arrogância do lugar do seu Criador, às vezes desempenham um papel crucial. Esta é uma forma de arrogância da razão, que pode ter características perigosas para a própria humanidade" (Discurso aos participantes do Congresso Internacional organizado pela Pontifícia Universidade Lateranense , 16 outubro de 2008 : AAS 100 [2008], 788-789). Na verdade, o cientificismo ea lógica do lucro agora parecem dominar o campo da infertilidade e da procriação humana, chegando a limitar muitas outras áreas de pesquisa.
A Igreja presta pouca atenção ao sofrimento dos casais com infertilidade, cuida deles e, por isso, incentiva a pesquisa médica. A ciência, contudo, nem sempre é capaz de responder aos desejos de tantos casais. Então eu gostaria de lembrar que o casal que as pessoas têm uma condição de infertilidade não, esta sua vocação para o casamento é frustrado. Os cônjuges, por sua própria vocação baptismal e do casamento, são chamados a cooperar com Deus na criação de uma nova humanidade. A vocação para o amor, na verdade, é uma vocação ao dom de si e esta é uma possibilidade que nenhuma condição orgânica pode ser prevenida. Onde, então, a ciência ainda não encontrou uma resposta, a resposta que dá a luz vem de Cristo.
Eu encorajo todos vocês aqui reunidos para estes dias de estudo, e às vezes trabalhava em uma dimensão médico-científico, onde a verdade está desfocada: prosseguir o caminho de uma continua intelectualmente honesto e fascinado pela pesquisa da ciência do bem do homem. No seu caminho não desprezar o diálogo intelectual com a fé. Dirijo-lhe o premente apelo expresso na Encíclica Deus caritas est , "Para funcionar corretamente, o motivo deve ser constantemente purificado, porque a sua cegueira ética provocada pelo predomínio do poder e da deslumbrante é um perigo nunca pode ser completamente eliminado. [...] A fé consente à razão de fazer o seu trabalho melhor e ver melhor o que é certo" (n. 28 ). Por outro lado, sua matriz cultural criado pelo cristianismo - enraizada na afirmação da existência da verdade e da inteligibilidade da realidade à luz da Verdade Suprema - tornou possível o desenvolvimento medieval de conhecimento científico moderno, saber que em culturas anteriores tinha ficado apenas em germe.
Eminentes cientistas, e todos vocês membros da Academia se comprometeu a promover a vida ea dignidade da pessoa humana, tenha em mente também o importante papel cultural na sociedade e exercer a influência que você tem na formação da opinião pública. Meu predecessor, o Beato João Paulo II recordou que os cientistas, "porque eles sabem mais, são chamados a servir mais" ( Discurso à Pontifícia Academia das Ciências , 11 novembro de 2002 : AAS 95 [2003], 206). As pessoas têm confiança em você confiança servir a vida, no seu compromisso de apoiar aqueles que precisam de conforto e esperança. Nunca sucumbir à tentação de tratar as pessoas boas, reduzindo-a a um mero problema técnico! A indiferença de consciência contra o verdadeiro e bom, representa uma perigosa ameaça ao progresso científico genuíno.
Permitam-me concluir, renovando a esperança de que o Concílio Vaticano II falou aos homens de pensamento e de ciência: "Felizes são aqueles que, possuindo a verdade, continuar a procurar a renová-la, aprofundá-la, para dar aos outros" (Mensagem aos homens de pensamento e de ciência , 08 de dezembro de 1965 : AAS 58 [1966], 12). É com estas esperanças que eu concedo a todos vós aqui presentes e aos seus entes queridos a Bênção Apostólica.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Reunião Pascom 03/03

Neste primeiro sábado do mês como de costume, ocorreu a reunião mensal da Pastoral da Comunicação (PASCOM).

O texto proposto para estudo e leitura foi a introdução do Decreto Inter Mirifica referente aos Meios de Comunicação.

O surgimento deste decreto no Concílio Vaticano II, foi para orientar os cristãos e convocá-los para um uso correto dos meios de comunicação, e uma maneira de reconhecer a importância da comunicação em massa como um meio capaz de movimentar indivíduos e sociedade, assim como o valioso auxilio no desenvolvimento do ser humano e na evangelização (cf.IM nº 1-3).

O Inter Mirifica foi o segundo documento aprovado no Concílio, e o primeiro documento pontifício a tratar da comunicação de massa e a apontar para varias iniciativas que ao longo dos anos foram se concretizando: criação do secretariado pontifício e secretariados nacionais, dia mundial da comunicação social, instruções pastorais, associações pastorais. 

Todos os anos para o Dia Mundial da Comunicação, que acontece entre o dia da Ascensão e Pentecoste, o Papa publica uma mensagem. É uma forma de atualizar o conteúdo do Concilio Vaticano II e adaptá-lo nova realidade social e humana. A mensagem do Santo Padre é tradicionalmente publicada por ocasião da festa de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas em 24 de janeiro.

Neste ano de 2012 o 46º tema proposto para o Dia Mundial das Comunicações por Bento XVI foi: "Silêncio e palavra: caminho de evangelização" que se comemorará no dia 20 de maio. 

Também foi proposto novos desafios para os agentes da Pascom:
-Divulgar nossos meios
-Falar de nós, interagir nos meios de comunicação.
-Agir, falar, mostrar, propagar a Boa Nova com periodicidade e qualidade.

Nossa agenda:


- Dia 06/03 as 17h no canal Eco TV a Irmã Lourdes estará no programa do Humberto Pastore falando sobre a Pascom.

- Programas de rádio divulgando as bandas que participarão do FECACRI (Festival da Canção Cristã):

Dia 10/03 as 20h na Rádio ABC (1570AM) estarão as bandas:
   Poder e Adoração
   Convertidos
   Ponto Limite

Dia 11/03 as 19h na Rádio da Milicia estarão as bandas:
   Encontro com Cristo
   L5

Dia 18/03 as 19h na Rádio da Milicia estaraõ as bandas:
   Família União Fraterna
   Ozanan

- Dia 31/03 Show das mulheres com Eliana Ribeiro e Adriana Arydes "Uma nota que elas notam"
Local: Auditório Attillio Zobóli (CENFORPE)  

- Dia 14/04 Nossa próxima reunião as 13h 30m.

- Dia 22/04 Retiro na Paróquia Imaculada Conceição em Diadema.




Por: Rosemary de M. Correia Montanhas

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Papa alerta sobre a tentação de construir um mundo sem Deus



Bento XVI alertou no Vaticano, neste domingo, 26 de fevereiro, para a “tentação” de eliminar Deus da construção da sociedade, que considera estar “sempre presente” na história da humanidade.

O Papa falava a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, para a recitação da oração do Angelus, comentando uma passagem do Evangelho que relata as “tentações” a que Jesus foi submetido no deserto, um lugar que pode servir como “refúgio”.

Para Bento XVI, muitos procuram construir a sua vida “fora” de Deus ou como “se Ele não existisse”, contando apenas com as suas próprias capacidades para “colocar ordem em si próprios e no mundo”.

Nesse contexto, apelou à “paciência e humildade” para seguir Jesus, “fonte da verdadeira vida”.

No primeiro domingo após o início da Quaresma, em preparação para a Páscoa, o Papa disse que este tempo litúrgico é “exigente” porque convida os católicos a “voltarem para Deus”, orientando pensamentos e ações para o bem.

“O tempo da Quaresma é o momento propício para renovar e tornar mais firme a nossa relação com Deus, através da oração quotidiana, os gestos de penitência, as obras de caridade fraterna”, assinalou.

A Quaresma, que começou esta quarta-feira, com a celebração de cinzas, é um período de 40 dias, excetuando os domingos, marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa (este ano a 8 de abril), principal festa do calendário cristão.


Papa pede orações para semana de retiro com os seus colaboradores

Bento XVI e os seus colaboradores na Cúria Romana iniciam no Vaticano, na segunda-feira, uma semana dedicada à reflexão, sem outros compromissos oficiais, iniciativa para a qual o Papa pediu a "oração" dos fiéis.

O retiro de Quaresma foi recordado esta manhã durante o encontro do Papa com os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, para a recitação do Angelus.

"Confio à vossa oração a semana de exercícios espirituais que esta tarde iniciarei com os meus colaboradores da Cúria Romana", disse Bento XVI.

Estes dias vão ser orientados pelo cardeal africano D. Laurent Monsengwo Pasinya, de 72 anos.

O arcebispo de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, foi escolhido devido ao seu compromisso com a paz no país e por ter sido uma voz importante na defesa dos direitos humanos, especialmente durante a ditadura de Mobutu Sese Seko.

"A comunhão do cristão com Deus" vai ser o tema das pregações do especialista na Bíblia que em 2008 foi secretário especial do Sínodo dos bispos sobre a Palavra de Deus, e que em novembro de 2010 foi criado cardeal por Bento XVI.



Veja na íntegra a mensagem do Papa no Ângelus

Queridos irmãos e irmãs!

Neste primeiro domingo da Quaresma, encontramos Jesus que, depois de ter recebido o batismo no rio Jordão por João Batista (cf. Mc 1,9), é tentado no deserto (cf. Mc 1:12-13). A narração de São Marcos é concisa, desprovida de detalhes que lemos nos outros dois Evangelhos de Mateus e de Lucas. O deserto do qual se fala tem diversos significados. Pode indicar o estado de abandono e solidão, o "lugar" da fraqueza do homem, onde não há apoios e seguranças, onde a tentação se faz mais forte. Mas também pode indicar um lugar de refúgio e abrigo, como foi para o povo de Israel na fuga da escravidão egípcia, onde é possível experimentar, de maneira particular, a presença de Deus. Jesus "esteve no deserto quarenta dias, tentado por satanás" (Mc 1,13). São Leão Magno diz que "o Senhor quis sofrer o ataque do tentador para defender com a sua ajuda e para ensinar com o seu exemplo" (Tractatus XXXIX, 3 De ieiunio quadragesimae: CCL 138 / A Turnholti, 1973, 214-215) .

O que pode nos ensinar esse episódio? Como lemos no livro da Imitação de Cristo, “o homem nunca é totalmente livre da tentação, enquanto viver ... Mas é com paciência e verdadeira humildade, se tornará mais fortes do que qualquer inimigo" (Liber I, c. XIII , Cidade do Vaticano 1982, 37), a paciência e a humildade de seguir o Senhor todos os dias, aprendendo a construir a nossa vida não fora dele como se não existisse, mas Nele e com Ele, porque é a fonte da verdadeira vida. A tentação de remover Deus, de colocar ordem sozinho em nós mesmos e no mundo contando apenas com as próprias habilidades, está sempre presente na história humana.

Jesus proclama que "o tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus" (Mc 1,15), anuncia que Nele acontece algo novo: Deus se fez homem, de uma forma inesperada, com uma proximidade única e concreta, plena de amor; Deus se encarna e entra no mundo como homem para tomar sobre si o pecado, para vencer o mal e reconduzir o homem ao mundo de Deus. Mas este anúncio é acompanhado pela exigência de corresponder a esse dom tão grande. Jesus, de fato, acrescenta: "convertei-vos e crede no evangelho" (Mc 1,15); é um convite a ter fé em Deus e a converter todos os dias nossas vidas a Sua vontade, orientando, para o bem, todas as nossas ações e pensamentos.O tempo da Quaresma é um tempo propício para renovar e melhorar o equilíbrio do nosso relacionamento com Deus, através da oração cotidiana, dos atos de penitência, e das obras de caridade fraterna.

Supliquemos com fervor Maria Santíssima para que acompanhe o nosso caminho quaresmal com sua proteção e ajude-nos a imprimir em nosso coração e em nossa vida as palavras de Jesus Cristo, para convertermos a Ele. Confio, por fim, as vossas orações pela semana de Exercícios Espirituais que nesta noite iniciarei junto aos meus Colaboradores da Cúria Romana.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2012

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
PAPA BENTO XVI
PARA A QUARESMA DE 201
2
«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos
ao amor e às boas obras» (
Heb 10, 24)

Irmãos e irmãs!


A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.

Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.

1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.

O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41).

Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).

A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.

O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1).

Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.

O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.

Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).

3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.

Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf.Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.

Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).

Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma

Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.


Vaticano, 3 de Novembro de 2011

BENEDICTUS PP. XVI